Nomes entre escritas

Transliteração, transcrição e romanização de nomes

Converter um nome para caracteres latinos não é traduzi-lo. O resultado depende do sistema, da língua de destino e da prioridade dada à reversibilidade ou à pronúncia.

Guia editorial · publicado em · revisto em

Transliteração, transcrição e romanização

Transliteração
Conversão de caracteres de uma escrita para outra segundo correspondências declaradas.
Transcrição
Representação orientada para sons ou pronúncia, não necessariamente recuperável letra por letra.
Romanização
Nome geral para a representação em escrita latina; pode usar transliteração ou transcrição.

As diretrizes CLDR observam que transliteração não é tradução e que o termo pode abranger transformações reversíveis e não reversíveis. Também distinguem sistemas genéricos de escrita para escrita e variantes específicas de língua ou autoridade. [1]

Uma escrita de origem pode produzir várias formas latinas

Os sistemas equilibram objetivos incompatíveis: seguir uma norma reconhecida, permitir a recuperação da escrita original, ser previsível para máquinas e oferecer uma forma pronunciável na língua de destino. Alterar a prioridade altera o resultado. Assim, duas romanizações diferentes podem estar corretamente formadas segundo normas distintas.

A comparação só é significativa quando identifica a escrita e a língua de origem, a língua de destino e o sistema. Dizer apenas “a transliteração correta” apaga as escolhas envolvidas e pode transformar uma preferência administrativa numa afirmação linguística universal.

Reversível não significa fácil de pronunciar

Um sistema reversível procura conservar distinções suficientes para reconstruir a sequência original. Pode exigir diacríticos ou correspondências pouco intuitivas para leitores portugueses. Um sistema orientado para pronúncia pode ser mais legível, mas fundir letras distintas ou depender da variedade falada.

A ISO 9:1995, por exemplo, estabelece um sistema de transliteração de caracteres cirílicos para latinos e identifica explicitamente o repertório abrangido. A página oficial informa que a edição permanece publicada, embora exista trabalho de revisão. [2] Esta referência demonstra por que é necessário indicar versão e âmbito, não copiar uma tabela sem contexto.

Forma linguística e forma documental

Uma romanização académica, uma forma usada num passaporte e uma adaptação tradicional portuguesa podem coexistir. São objetos diferentes. Para identificar uma pessoa, a grafia constante do documento relevante tem prioridade prática; para estudar a história do nome, deve conservar-se também a escrita original e a norma usada na conversão.

Normalização Unicode pode assegurar que marcas combinantes são tratadas de modo consistente, mas não escolhe entre sistemas de romanização nem torna duas formas linguisticamente equivalentes. [3]

Ficha mínima de uma transliteração

  1. Reproduza a forma na escrita original, com idioma quando conhecido.
  2. Indique a forma convertida exatamente como aparece.
  3. Nomeie o sistema, a versão e a direção da conversão.
  4. Declare se a forma é reversível, fonética, documental ou tradicional.
  5. Cite a fonte da correspondência e não infira uma etimologia da conversão.

Se o problema estiver em caracteres visualmente ou tecnicamente equivalentes, consulte grafia e equivalência digital. Para não confundir formas latinas coincidentes com a mesma identidade histórica, veja homonímia e homografia.

Fontes consultadas

  1. Unicode Transliteration GuidelinesUnicode Consortium — CLDR · cobertura: transliteração entre escritas, reversibilidade e romanização · consultado em
  2. ISO 9:1995 — Transliteration of Cyrillic characters into Latin charactersInternational Organization for Standardization · cobertura: âmbito e estado do sistema ISO para transliteração cirílico–latim · consultado em
  3. Unicode Standard Annex #15: Unicode Normalization FormsUnicode Consortium · cobertura: equivalência canónica, composição e decomposição de caracteres · consultado em