Manifesto por afirmação
O que as fontes permitem afirmar
Cada caixa tem um plano, uma formulação limitada, uma qualificação e a localização exata da prova. Uma afirmação morfológica não é promovida a ocorrência histórica; uma ocorrência não é convertida em origem.
Formação lexical ou onomástica
Formação em -uç-
Rio-Torto analisa Barruça e Barruço no conjunto de apelidos em -uç-.
Qualificação: O valor depreciativo que o sufixo pode ter hoje não deve ser projetado automaticamente sobre os usos históricos ou sobre portadores.
Força declarada: classificação direta e qualificada
- Padrões de construção morfológica dos sobrenomes em Portugal p. 189, secção 4.1 Discute o sufixo -uç- e as duas formas históricas.
Formas e variantes
Formas relacionadas no estudo
A publicação cita Domingos Fernandes Barruça em 1591 e Domingos Lopes Barruço em 1650.
Qualificação: A proximidade formal não prova que Barruça e Barruço sejam variantes da mesma família; o corpus conserva-as como duas formas relacionadas pela análise morfológica.
Força declarada: duas abonações explícitas
- Padrões de construção morfológica dos sobrenomes em Portugal p. 189, secção 4.1 Fornece os nomes e anos de 1591 e 1650.
Grafia sem normalização silenciosa
Formas que a fonte relaciona
Estas formas são mostradas com o estatuto que a publicação permite. “Relacionada” não significa automaticamente “intermutável” nem “da mesma família”.
- Barruçaforma documentada no exemplo de 1591
- Barruçoforma documentada no exemplo de 1650
Três perguntas independentes
Formação, frequência e parentesco
Documentada por afirmação
Formação
Rio-Torto analisa Barruça e Barruço no conjunto de apelidos em -uç-.
A qualificação e a página correspondente estão no manifesto acima.
Fora do corpus
Frequência e distribuição
Este corpus não estima número de portadores, posição nacional nem distribuição geográfica. Uma contagem dentro de uma fonte histórica permanece uma contagem dessa amostra.
Não inferido
Parentesco familiar
Partilhar esta grafia não demonstra ascendência comum. Uma ligação familiar exige uma cadeia documental entre pessoas identificadas, geração a geração.
Enquadramento: Nuno Gonçalo Monteiro 2008 · Diogo Vivas 2010
Como ler a formação de Barruça e Barruço
A fonte reúne as duas formas ao discutir -uç-, mas não apresenta uma árvore genealógica nem declara que uma grafia derive diretamente da outra. O dossiê mantém essa assimetria: relação morfológica documentada, equivalência genealógica não provada.
A classificação morfológica descreve a estrutura ou a motivação lexical que a bibliografia consegue sustentar. Não identifica, por si só, uma primeira pessoa portadora, um lugar único de nascimento do apelido ou uma linhagem original.
O que a documentação histórica acrescenta
1591 e 1650 são datas das ocorrências citadas, não datas de criação. Os portadores têm nomes completos diferentes e a publicação não os relaciona como parentes.
Uma ocorrência datada prova que uma forma foi usada naquele documento ou no corpus estudado. Não converte a data do documento em “data de origem” e não prova continuidade até qualquer pessoa contemporânea.
Formas, variantes e pesquisa
Barruça e Barruço aparecem exatamente com essas grafias. Numa pesquisa, ambas podem servir como pistas de busca, mas cada resultado precisa de ser validado no documento e no seu contexto familiar.
Procure os assentos correspondentes, registe lugar e tipo de ato e compare a sequência de gerações. Só essa documentação poderá mostrar se houve alternância gráfica numa mesma família.
Do apelido à pessoa certa
Caminho de pesquisa verificável
- Pesquisar Barruça e Barruço separadamente.
- Não converter uma forma na outra na transcrição.
- Comparar filiação, lugar e cronologia antes de sugerir relação.
O resultado deve ser uma sequência de referências consultáveis, não uma associação baseada apenas em som, grafia, brasão ou presença num mapa.
Proveniência por afirmação
Fontes usadas neste dossiê
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Artigo com revisão académica
Padrões de construção morfológica dos sobrenomes em Portugal
Graça Rio-Torto · Études romanes de Brno, 45 (2), pp. 179–197
Uso: Classificação temática e análise de padrões derivacionais, patronímicos e de composição no português europeu.
Âmbito: Estudo morfológico apoiado numa seleção de apelidos atestados no século XX e em bibliografia onomástica; não é um censo nacional de portadores.
Licença da fonte: CC BY-SA 4.0
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Fonte 1 · consultada em abrir texto -
Artigo com revisão académica
Os nomes de família em Portugal: uma breve perspectiva histórica
Nuno Gonçalo Monteiro · Etnográfica, 12 (1), pp. 45–58
Uso: Enquadramento histórico da transmissão, seleção e ordem dos apelidos em Portugal.
Âmbito: Perspetiva histórica e amostras sociais delimitadas; não autoriza deduzir parentesco entre pessoas apenas por partilharem um apelido.
Licença da fonte: CC BY-NC 4.0
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Fonte 2 · consultada em abrir texto -
Capítulo académico em acesso aberto
Nomear e ser nomeado na Idade Média: estudo de antroponímia alentejana medieval
Diogo Vivas · André de Oliveira-Leitão · Actas do 2.º Encontro de História do Alentejo Litoral, pp. 97–110
Uso: Sistema antroponímico e contagens limitadas à inquirição de 1375–1376 sobre Castro Verde, Almodôvar e Padrões.
Âmbito: A amostra publicada reúne 228 nomes e 156 utilizações classificadas como patronímicos; só descreve aqueles concelhos e aquela fonte.
Licença da fonte: CC BY-NC (versão não indicada no registo)
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Fonte 3 · consultada em abrir texto