Epigrafia histórica · AE 1975, 483–490

Repetição nominal dentro da pedra: Allia, Blaesius e Flaccinus

Três padrões de semelhança formal, cada um com um suporte relacional e um grau de certeza diferente.

Revisto em · 3 registos EDH neste estudo · página ainda não indexada.

Observações auditáveis

O número, a qualificação e as pedras

Cada afirmação aponta para identificadores HD, nunca apenas para uma forma normalizada.

Allia / Allia
filha e mãe
HD009945 preserva Alliae na falecida e Allia na mãe explicitamente identificada.
HD009945
Blaesio / Blaesius?
relação perdida
HD009957 aproxima formas parcialmente restituídas sem conservar a palavra relacional.
HD009957
Flaccinia / Flaccinus
filha e pai
HD009966 explicita pater e filiae, embora o nome da filha seja parcialmente restituído.
HD009966

01

Repetir um nomen não é repetir uma pessoa

Alliae Avitae e Allia Rufina partilham Allia no mesmo texto, enquanto mater e filiae distinguem as funções. A repetição é uma característica da fórmula familiar explícita, não um caso de duplicação de registo.

A página preserva as terminações de caso e a restituição [Ruf]ina. Normalizar ambas para Allia pode servir à explicação, mas nunca deve apagar quem é mãe e quem é filha.

02

Sem relação preservada, a semelhança fica suspensa

HD009957 oferece Bla[esio] Seve[ro] e L(ucius) B[laesius?], com perdas amplas. O segundo elemento recebe dúvida editorial e a palavra que ligaria as pessoas não sobrevive.

Não se escolhe “pai e filho” só porque outra pedra usa esse padrão. A forma semelhante permite formular uma pergunta; a lacuna impede publicar a resposta.

03

Flaccinia e Flaccinus têm apoio relacional

HD009966 chama Flaccinus pater e a homenageada filia. Aqui a relação não depende exclusivamente da proximidade gráfica, embora Valeria e o início de Flaccinia incluam restituição.

O padrão pode ser analisado dentro do epitáfio. Não demonstra uma regra universal de transmissão, nem autoriza ligar outros Flaccini sem relação expressa.

04

Da pedra ao sistema, sem genealogia automática

Três exemplos mostram por que a evidência relacional deve acompanhar a morfologia. Dois têm palavras familiares explícitas; um perdeu exatamente a zona decisiva.

Generalizar exigiria um corpus mais amplo, critérios para identidade e cronologia. Este recorte não mede hereditariedade dos nomes e não conecta pessoas antigas a apelidos posteriores.

Contratos negativos

O que este estudo não conclui

  • Não funde pessoas que partilham um elemento nominal.
  • Não preenche uma relação perdida por analogia com outra pedra.
  • Não transforma repetição intratextual em linhagem ou regra populacional.

Manifesto do recorte

Transcrições e estado de leitura

A barra separa linhas; nenhum sinal editorial é removido.

  1. HD009945 · AE 1975, 0483

    D(is) M(anibus) s(acrum) / Alliae Avit(a)e / an(norum) XXIII Vale/rius Ursacius / pater et Allia / [Ruf]ina mater / filiae pientissi/m(a)e f(aciendum) / c(uraverunt) / d[ic] rogo qui / transis [sit] / tibi terra / levis

    A forma Rufina depende de três letras restituídas; o texto explicita pai, mãe e filha e preserva a idade da homenageada.

    Idade
    XXIII
    Marcadores editoriais
    expansion, restoration
  2. HD009957 · AE 1975, 0487

    [D(is)? M(anibus)?] / [-] Bla[esio] Seve[ro] / an[n(orum) ---] / L(ucius) B[laesius? ------

    A aproximação entre Blaesius e Blaesio é editorialmente desigual e não autoriza reconstruir a relação perdida.

    Idade
    perdida
    Marcadores editoriais
    expansion, restoration, lacuna, query
  3. HD009966 · AE 1975, 0490

    D(is) M(anibus) s(acrum) / [i]n honorem Va[l(eriae)] / [F]lacciniae an/norum XXIII / Flaccinus p[a]t(e)r filiae [pi]/[e]ntissem[ae](!) / f(aciendum) c(uravit)

    A filha é restituída como Valeria Flaccinia; o pai Flaccinus está preservado e pientissimae é assinalado com (!).

    Idade
    XXIII
    Marcadores editoriais
    expansion, restoration, sic

Proveniência

Famílias de fontes

A edição digital consultada e o catálogo da edição de escavação têm papéis diferentes.

scholarly-digital-edition

Epigraphic Database Heidelberg: oito registos de Conimbriga, AE 1975, 483–490

Heidelberger Akademie der Wissenschaften / Universität Heidelberg

Transcrições expandidas, identificadores HD, lugar antigo e moderno e concordâncias bibliográficas. A coleção usa somente os oito registos HD enumerados no manifesto.

Estado da transcrição: Transcrição editorial da EDH, não leitura autónoma da pedra. Parênteses expandem abreviaturas; colchetes assinalam restituição ou perda; interrogação marca dúvida; (!) marca anomalia editorialmente sinalizada.

institutional-catalogue-of-scholarly-edition

Fouilles de Conimbriga II — Épigraphie et sculpture

Mission Archéologique Française au Portugal / Musée Monographique de Conimbriga

Registo institucional da edição de Robert Étienne, Georges Fabre, Pierre Lévêque e Monique Lévêque, Paris, 1976, 274 páginas e pranchas; serve para identificar a edição de escavação, não como transcrição consultada linha a linha.

Estado da transcrição: A coleção não declara conferência integral do volume impresso. As leituras citadas provêm da EDH e são ligadas às concordâncias AE 1975, 483–490.