Oito estudos · 1375–1438

Formas históricas dos nomes próprios em corpora portugueses

Duas publicações de base documental permitem observar contagens, categorias e ausências em escalas definidas. O objetivo não é contar “os nomes dos portugueses medievais”, mas mostrar exatamente o que cada tabela sustenta.

Revisto em · 2 corpora publicados · coleção ainda não indexada.

Âmbito próprio

Formas contadas, não biografias nem manual documental

Os casos históricos e documentais partem de uma pessoa ou unidade. A coleção de práticas documentais ensina a separar títulos, relações e transcrições. A história jurídica segue normas. Aqui, a unidade é outra: uma categoria de nome próprio dentro de uma tabela publicada e de um denominador explícito.

Cada estudo cruza os corpora apenas quando a comparação é legítima. Divergências editoriais, omissões femininas e normalização ortográfica não são notas laterais: determinam o significado de cada número.

Registo dos corpora

Duas janelas documentais, duas políticas

Ambas assentam em fontes primárias identificáveis, mas nenhuma é um recenseamento da população.

Baixo Alentejo 1375–1376

Nomear e ser nomeado na Idade Média: estudo de antroponímia alentejana medieval

Inquirição régia de 1375–1376 sobre bens régios em Castro Verde, Almodôvar e Padrões; cópia na Leitura Nova, Livro I dos Direitos Reais, fólios 111–163; edição integral publicada pelo Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo em 1998.

Fronteira: 228 antropónimos recolhidos pelos autores nos três concelhos. As tabelas publicam 203 ocorrências na lista masculina e 23 na feminina; a diferença de duas unidades perante o total declarado fica sem reconciliação nesta edição.

Grafia: As tabelas agrupam explicitamente algumas formas com barra — por exemplo Domingos / Dominico, Martim / Martinho, Fernando / Fernão, Pedro / Pêro, Rodrigo / Rui e Mor / Maior. Esta coleção preserva esses agrupamentos e não recupera grafias manuscritas.

Consultar a publicação e os metadados

Porto 1431–1438

“Diz-me como te chamas, dir-te-ei quem és”: amostra antroponímica do Porto e seu termo (1431–1438)

Atas de Vereação da cidade do Porto e Livro da Receita Nova; o artigo fornece remissões para fólio/página e tabelas anexas de formas e contagens.

Fronteira: 3 855 antropónimos declarados; 3 689 com nome próprio numa passagem, embora a frase seguinte use 3 688. A autora identifica 315 referências femininas, das quais 172 publicam nome de batismo, e 61 nomes masculinos distintos mais 20 femininos.

Grafia: A autora declara ter registado todos os nomes próprios com a grafia vigente à data do estudo para facilitar contabilização. As formas da tabela são, portanto, categorias editoriais normalizadas, não inventário de grafias medievais.

Consultar a publicação e os metadados

Antes de interpretar

Quatro proibições metodológicas

  1. Não projetar uma tabela administrativa sobre toda a população portuguesa.
  2. Não tratar uma categoria normalizada como transcrição da grafia manuscrita.
  3. Não inferir parentesco ou continuidade familiar de nomes e patronímicos agregados.
  4. Não chamar “origem” ou “primeira ocorrência” a uma forma rara dentro destes corpora.

Estudos temáticos

Oito perguntas que as tabelas permitem testar

Cada página publica observações localizadas, narrativa analítica, fronteiras do corpus e contratos negativos.

  1. 011375–1438Antes da percentagem: auditar denominadores medievaisLeitura dos totais, subtotais e pequenas incongruências publicados nos dois corpora antes de comparar qualquer forma nominal.Abrir estudo
  2. 021375–1438João em dois corpora medievais delimitadosComparação das contagens publicadas para João no Baixo Alentejo e no Porto, mantendo denominadores, datas e políticas editoriais separados.Abrir estudo
  3. 03séculos XIV–XVConcentração dos nomes masculinos nas duas amostrasO peso dos nomes mais contados em duas tabelas medievais, sem transformar concentração documental em distribuição portuguesa.Abrir estudo
  4. 041375–1438Visibilidade dos nomes femininos nas fontes medievaisComo duas amostras tornam as mulheres e os seus nomes menos visíveis, com denominadores e omissões explicitamente separados.Abrir estudo
  5. 051375–1438Dois inventários femininos: formas dominantes e cauda curtaMaria, Domingas, Mor/Maior, Senhorinha e outras categorias nos conjuntos femininos publicados, sem generalização nacional.Abrir estudo
  6. 061375–1438Variantes publicadas e nomes modernizados: duas políticas incompatíveisO que pode e não pode ser comparado quando uma fonte agrupa variantes e outra normaliza todos os nomes próprios para grafia moderna.Abrir estudo
  7. 071375–1438Formas raras e ocorrências únicas nas tabelasComo ler categorias de uma ocorrência sem lhes atribuir origem, exclusividade regional ou continuidade moderna.Abrir estudo
  8. 081375–1438Nome próprio e patronímico: contagens que não se somamComparação das duas funções onomásticas publicadas e dos riscos de tratar patronímicos como ocorrências adicionais do nome próprio.Abrir estudo

Reprodução

Como rever uma afirmação desta coleção

Comece pelo cartão numérico e confirme o corpus e as páginas indicadas. Depois leia a definição do universo e a política gráfica da publicação. Uma percentagem só é comparável quando mede a mesma unidade e usa um denominador equivalente.

Nos dados alentejanos, os agrupamentos com barra permanecem juntos. Nos dados portuenses, todos os nomes próprios são tratados como formas modernizadas pela autora. A coleção não reconstrói grafias que as tabelas não preservaram.

Se um total diverge por uma ou duas unidades, a divergência fica exposta. Não se escolhe silenciosamente um número, não se preenche a ausência documental e não se converte a incerteza editorial em precisão estatística.