Corpus delimitado · 1375–1438

Dois inventários femininos: formas dominantes e cauda curta

Maria, Domingas, Mor/Maior, Senhorinha e outras categorias nos conjuntos femininos publicados, sem generalização nacional.

Revisto em · 2 corpora publicados · rota em revisão editorial e ainda não indexada.

Leituras verificáveis

Três observações com localizador

Cada número permanece ligado ao seu denominador, corpus e decisão editorial.

Alentejo: Maria
7; 30,44%
Primeira categoria entre 23 ocorrências femininas.
Baixo Alentejo 1375–1376 · p. 101
Porto: Maria
50; 29%
Primeira categoria entre 172 nomes femininos publicados.
Porto 1431–1438 · pp. 187–188 e 210
Formas seguintes
Domingas e Mor/Maior; Senhorinha e Margarida
As categorias e as ordens seguintes diferem entre os dois corpora.
Baixo Alentejo 1375–1376 · p. 101

01

Maria lidera dois conjuntos incompletos

Maria reúne sete ocorrências e 30,44% na tabela feminina alentejana. No Porto, a tabela conta 50 e o gráfico publica 29%.

Os valores próximos são uma observação entre mulheres nomeadas nas fontes. Não permitem afirmar que três em cada dez mulheres das regiões se chamavam Maria.

02

As categorias seguintes divergem

No Alentejo, Domingas e o grupo Mor/Maior têm três ocorrências cada; Catelina, Margarida e Marinha têm duas. Branca, Constança, Estevaínha e Janeira surgem uma vez.

No Porto, Senhorinha conta 26, Margarida 23, Catarina 18 e Domingas 12. A tabela inclui ainda Joana, Clara, Leonor, Inês, Constança, Guiomar e várias ocorrências menores.

03

Mor/Maior é um agrupamento editorial explícito

A fonte alentejana apresenta Mor / Maior como uma categoria conjunta de três ocorrências, repartida em duas mais uma. Esta coleção não escolhe uma forma canónica nem transforma o par em duas frequências independentes.

A tabela portuense foi modernizada globalmente; por isso, mesmo categorias sem barra podem condensar grafias originais. A ausência de barra não significa ausência de variação manuscrita.

04

A cauda não suporta uma história de origem

Uma única ocorrência confirma presença na categoria publicada e no corpus. Não data o aparecimento do nome, não identifica a primeira portadora e não prova origem regional.

Para estudar uma forma rara seria preciso regressar ao fólio, verificar leitura, contexto e possíveis homónimos, e procurar corpora comparáveis. A tabela é ponto de partida, não certidão de nascimento da forma.

Contratos negativos

O que este estudo não conclui

  • Não converte percentagens documentais em prevalência populacional.
  • Não separa agrupamentos nem liga portadoras por possível parentesco.
  • Não chama primeira ocorrência histórica a um singleton do corpus.

Caderno de proveniência

Limites e política de cada corpus

As fontes primárias subjacentes, os totais e a intervenção editorial são parte do resultado.

  1. Dataset publicado e reproduzível

    Nomear e ser nomeado na Idade Média: estudo de antroponímia alentejana medieval

    Diogo Vivas e André de Oliveira-Leitão · 2010

    Base primária
    Inquirição régia de 1375–1376 sobre bens régios em Castro Verde, Almodôvar e Padrões; cópia na Leitura Nova, Livro I dos Direitos Reais, fólios 111–163; edição integral publicada pelo Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo em 1998.
    Fronteira
    228 antropónimos recolhidos pelos autores nos três concelhos. As tabelas publicam 203 ocorrências na lista masculina e 23 na feminina; a diferença de duas unidades perante o total declarado fica sem reconciliação nesta edição.
    Grafia e transcrição
    As tabelas agrupam explicitamente algumas formas com barra — por exemplo Domingos / Dominico, Martim / Martinho, Fernando / Fernão, Pedro / Pêro, Rodrigo / Rui e Mor / Maior. Esta coleção preserva esses agrupamentos e não recupera grafias manuscritas.
    Risco de inclusão
    A inquirição documenta pessoas relevantes para o levantamento de bens régios. Não é um rol da população residente nem uma amostra aleatória.
    Localizadores
    pp. 97–98: fonte e âmbito; pp. 99–101: tabelas de nomes próprios; pp. 102–103: nomes e patronímicos.

    Consultar a publicação usada

  2. Dataset publicado e reproduzível

    “Diz-me como te chamas, dir-te-ei quem és”: amostra antroponímica do Porto e seu termo (1431–1438)

    Vanessa Azevedo Reis · 2018

    Base primária
    Atas de Vereação da cidade do Porto e Livro da Receita Nova; o artigo fornece remissões para fólio/página e tabelas anexas de formas e contagens.
    Fronteira
    3 855 antropónimos declarados; 3 689 com nome próprio numa passagem, embora a frase seguinte use 3 688. A autora identifica 315 referências femininas, das quais 172 publicam nome de batismo, e 61 nomes masculinos distintos mais 20 femininos.
    Grafia e transcrição
    A autora declara ter registado todos os nomes próprios com a grafia vigente à data do estudo para facilitar contabilização. As formas da tabela são, portanto, categorias editoriais normalizadas, não inventário de grafias medievais.
    Risco de inclusão
    As duas fontes municipais tornam certos agentes e relações mais visíveis do que outros. Entre as 315 referências femininas, 143 aparecem por relação conjugal sem nome de batismo publicado.
    Localizadores
    pp. 176–180: corpus e método; pp. 185–189: nomes próprios e visibilidade feminina; pp. 194–195: nomes e patronímicos; pp. 210–211: tabelas anexas.

    Consultar a publicação usada