Corpus delimitado · 1375–1438

Nome próprio e patronímico: contagens que não se somam

Comparação das duas funções onomásticas publicadas e dos riscos de tratar patronímicos como ocorrências adicionais do nome próprio.

Revisto em · 2 corpora publicados · rota em revisão editorial e ainda não indexada.

Leituras verificáveis

Três observações com localizador

Cada número permanece ligado ao seu denominador, corpus e decisão editorial.

Alentejo: João / Eanes-Anes-Joanes
42 / 25
Nome próprio e grupo patronímico em tabelas separadas.
Baixo Alentejo 1375–1376 · pp. 102–103
Alentejo: Pedro-Pêro / Pires
5 / 11
Diferença interpretada pelos autores dentro do corpus, não genealogia individual.
Baixo Alentejo 1375–1376 · pp. 102–103
Porto: João / Anes-João
999 / 506
Categorias normalizadas comparadas na tabela 2.
Porto 1431–1438 · p. 194

01

A mesma base histórica, duas funções contadas

Os estudos aproximam categorias de nome próprio e patronímico para observar preferências em gerações ou funções diferentes. No Alentejo, João conta 42 como nome e Eanes/Anes/Joanes 25 como patronímico.

Isso não significa 67 pessoas chamadas João. O patronímico é elemento secundário de identificação e a tabela atribui-lhe função própria.

02

As proporções não caminham sempre juntas

No Alentejo, Domingos/Dominico tem 13 ocorrências, enquanto Domingues tem 18; Pedro/Pêro tem cinco e Pires onze. Os autores discutem possível flutuação entre gerações.

Esta coleção conserva a interpretação como hipótese do estudo. Não identifica pais e filhos concretos nem prova mudança temporal fora da inquirição.

03

O Porto amplia a escala e a assimetria

A tabela portuense põe João 999 diante de Anes/João 506, Afonso 601 diante de Afonso 375 e Gonçalo 351 diante de Gonçalves 269. Outros pares não ocupam posições paralelas.

Os valores dependem da classificação e normalização adotadas. Também podem refletir omissão de patronímicos em certas referências, risco que a autora discute.

04

Sem genealogia automática

Um patronímico historicamente relacionado com um nome não liga cada portador a uma pessoa específica desse nome. A contagem agregada perde cadeias individuais e homónimos.

Para uma conclusão genealógica seria preciso reconstruir pessoas com datas, lugares e relações em documentos sucessivos. Estas tabelas servem à história do sistema, não à prova de uma linhagem.

Contratos negativos

O que este estudo não conclui

  • Não soma patronímicos aos nomes próprios nem os projeta sobre a população.
  • Não converte diferença de contagens em genealogia.
  • Não liga portadores medievais a apelidos atuais.

Caderno de proveniência

Limites e política de cada corpus

As fontes primárias subjacentes, os totais e a intervenção editorial são parte do resultado.

  1. Dataset publicado e reproduzível

    Nomear e ser nomeado na Idade Média: estudo de antroponímia alentejana medieval

    Diogo Vivas e André de Oliveira-Leitão · 2010

    Base primária
    Inquirição régia de 1375–1376 sobre bens régios em Castro Verde, Almodôvar e Padrões; cópia na Leitura Nova, Livro I dos Direitos Reais, fólios 111–163; edição integral publicada pelo Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo em 1998.
    Fronteira
    228 antropónimos recolhidos pelos autores nos três concelhos. As tabelas publicam 203 ocorrências na lista masculina e 23 na feminina; a diferença de duas unidades perante o total declarado fica sem reconciliação nesta edição.
    Grafia e transcrição
    As tabelas agrupam explicitamente algumas formas com barra — por exemplo Domingos / Dominico, Martim / Martinho, Fernando / Fernão, Pedro / Pêro, Rodrigo / Rui e Mor / Maior. Esta coleção preserva esses agrupamentos e não recupera grafias manuscritas.
    Risco de inclusão
    A inquirição documenta pessoas relevantes para o levantamento de bens régios. Não é um rol da população residente nem uma amostra aleatória.
    Localizadores
    pp. 97–98: fonte e âmbito; pp. 99–101: tabelas de nomes próprios; pp. 102–103: nomes e patronímicos.

    Consultar a publicação usada

  2. Dataset publicado e reproduzível

    “Diz-me como te chamas, dir-te-ei quem és”: amostra antroponímica do Porto e seu termo (1431–1438)

    Vanessa Azevedo Reis · 2018

    Base primária
    Atas de Vereação da cidade do Porto e Livro da Receita Nova; o artigo fornece remissões para fólio/página e tabelas anexas de formas e contagens.
    Fronteira
    3 855 antropónimos declarados; 3 689 com nome próprio numa passagem, embora a frase seguinte use 3 688. A autora identifica 315 referências femininas, das quais 172 publicam nome de batismo, e 61 nomes masculinos distintos mais 20 femininos.
    Grafia e transcrição
    A autora declara ter registado todos os nomes próprios com a grafia vigente à data do estudo para facilitar contabilização. As formas da tabela são, portanto, categorias editoriais normalizadas, não inventário de grafias medievais.
    Risco de inclusão
    As duas fontes municipais tornam certos agentes e relações mais visíveis do que outros. Entre as 315 referências femininas, 143 aparecem por relação conjugal sem nome de batismo publicado.
    Localizadores
    pp. 176–180: corpus e método; pp. 185–189: nomes próprios e visibilidade feminina; pp. 194–195: nomes e patronímicos; pp. 210–211: tabelas anexas.

    Consultar a publicação usada