Corpus delimitado · 1375–1438

Antes da percentagem: auditar denominadores medievais

Leitura dos totais, subtotais e pequenas incongruências publicados nos dois corpora antes de comparar qualquer forma nominal.

Revisto em · 2 corpora publicados · rota em revisão editorial e ainda não indexada.

Leituras verificáveis

Três observações com localizador

Cada número permanece ligado ao seu denominador, corpus e decisão editorial.

Alentejo: total declarado
228 antropónimos
A tabela masculina totaliza 203 e a feminina 23; ficam duas unidades por reconciliar.
Baixo Alentejo 1375–1376 · pp. 98–101
Porto: total declarado
3 855 antropónimos
Uma passagem publica 3 689 com nome próprio e logo depois escreve 3 688; a tabela anexa totaliza 3 689.
Porto 1431–1438 · pp. 185–186 e 210–211
Porto: referências femininas
315
Só 172 apresentam nome de batismo; 143 são relacionais e não entram como formas femininas observadas.
Porto 1431–1438 · p. 186

01

O total do documento não é o denominador de cada tabela

No corpus alentejano, 228 é o total antroponímico anunciado. A lista de nomes masculinos fecha em 203 e a feminina em 23. Somá-las produz 226, por isso esta edição não recalcula percentagens para as duas unidades restantes sem uma categoria publicada que as explique.

No Porto, 3 855 antropónimos também não equivale automaticamente a 3 855 nomes próprios observados. O estudo distingue referências com nome e casos em que outros elementos ou relações estruturam a identificação.

02

Uma unidade de diferença deve permanecer visível

O texto portuense usa 3 689 numa frase e 3 688 na seguinte. A tabela anexa apresenta total de 3 689. Em vez de escolher silenciosamente a variante conveniente, o corpus assinala a divergência e usa o valor apenas quando reproduz diretamente a tabela.

A diferença é pequena em termos percentuais, mas grande em termos de método: mostrar o conflito permite rever a edição e impede uma falsa precisão de origem editorial.

03

O denominador feminino é condicionado pela fonte

Das 315 referências femininas do Porto, apenas 172 publicam nome de batismo; 143 aparecem através de fórmulas conjugais. Assim, uma percentagem entre nomes femininos descreve 172 formas nomeadas, não todas as mulheres referidas.

A omissão documental não pode ser distribuída proporcionalmente pelos nomes visíveis. Fazer isso presumiria que mulheres nomeadas e não nomeadas tinham o mesmo perfil onomástico, hipótese que a fonte não testa.

04

Regra de reprodução

Cada cartão desta coleção conserva valor, denominador, corpus e localizador. Percentagens publicadas são identificadas como tais; percentagens derivadas só seriam aceitáveis com fórmula e valores compatíveis.

Nenhum total é convertido em estimativa populacional. Os dois levantamentos resultam de fontes administrativas específicas e não de recenseamentos desenhados para medir nomes.

Contratos negativos

O que este estudo não conclui

  • Não corrige divergências editoriais sem nova conferência.
  • Não usa 228 ou 3 855 como população regional.
  • Não imputa nomes às referências femininas nem reconstrói parentescos ausentes.

Caderno de proveniência

Limites e política de cada corpus

As fontes primárias subjacentes, os totais e a intervenção editorial são parte do resultado.

  1. Dataset publicado e reproduzível

    Nomear e ser nomeado na Idade Média: estudo de antroponímia alentejana medieval

    Diogo Vivas e André de Oliveira-Leitão · 2010

    Base primária
    Inquirição régia de 1375–1376 sobre bens régios em Castro Verde, Almodôvar e Padrões; cópia na Leitura Nova, Livro I dos Direitos Reais, fólios 111–163; edição integral publicada pelo Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo em 1998.
    Fronteira
    228 antropónimos recolhidos pelos autores nos três concelhos. As tabelas publicam 203 ocorrências na lista masculina e 23 na feminina; a diferença de duas unidades perante o total declarado fica sem reconciliação nesta edição.
    Grafia e transcrição
    As tabelas agrupam explicitamente algumas formas com barra — por exemplo Domingos / Dominico, Martim / Martinho, Fernando / Fernão, Pedro / Pêro, Rodrigo / Rui e Mor / Maior. Esta coleção preserva esses agrupamentos e não recupera grafias manuscritas.
    Risco de inclusão
    A inquirição documenta pessoas relevantes para o levantamento de bens régios. Não é um rol da população residente nem uma amostra aleatória.
    Localizadores
    pp. 97–98: fonte e âmbito; pp. 99–101: tabelas de nomes próprios; pp. 102–103: nomes e patronímicos.

    Consultar a publicação usada

  2. Dataset publicado e reproduzível

    “Diz-me como te chamas, dir-te-ei quem és”: amostra antroponímica do Porto e seu termo (1431–1438)

    Vanessa Azevedo Reis · 2018

    Base primária
    Atas de Vereação da cidade do Porto e Livro da Receita Nova; o artigo fornece remissões para fólio/página e tabelas anexas de formas e contagens.
    Fronteira
    3 855 antropónimos declarados; 3 689 com nome próprio numa passagem, embora a frase seguinte use 3 688. A autora identifica 315 referências femininas, das quais 172 publicam nome de batismo, e 61 nomes masculinos distintos mais 20 femininos.
    Grafia e transcrição
    A autora declara ter registado todos os nomes próprios com a grafia vigente à data do estudo para facilitar contabilização. As formas da tabela são, portanto, categorias editoriais normalizadas, não inventário de grafias medievais.
    Risco de inclusão
    As duas fontes municipais tornam certos agentes e relações mais visíveis do que outros. Entre as 315 referências femininas, 143 aparecem por relação conjugal sem nome de batismo publicado.
    Localizadores
    pp. 176–180: corpus e método; pp. 185–189: nomes próprios e visibilidade feminina; pp. 194–195: nomes e patronímicos; pp. 210–211: tabelas anexas.

    Consultar a publicação usada