01
Baixa presença não equivale a baixa população
A tabela alentejana conta 23 ocorrências femininas e os autores calculam 10,1% da amostra total. Esse valor mede presença no levantamento antroponímico, não a composição por sexo da população dos três concelhos.
A inquirição sobre bens régios podia tornar certos titulares, testemunhas ou relações mais documentáveis. Sem conhecer todo o mecanismo de inclusão, ausência onomástica não se converte em ausência demográfica.
02
No Porto, referência e nomeação divergem
O estudo encontra 315 referências femininas, mas apenas 172 com nome de batismo. As outras 143 surgem por fórmulas conjugais como “mulher de”.
Assim, a tabela de nomes femininos descreve pouco mais de metade das referências femininas publicadas. A distribuição das 143 formas omitidas permanece desconhecida.
03
Comparar percentagens exige denominadores equivalentes
Os 10,1% alentejanos usam 228 como base total. Os percentuais dos nomes femininos portuenses usam o subconjunto de 172 mulheres nomeadas. Colocá-los na mesma coluna como se fossem a mesma métrica seria enganador.
Esta coleção identifica sempre se uma percentagem mede presença feminina no corpus ou distribuição dentro dos nomes femininos visíveis.
04
A lacuna é parte do resultado
A subnomeação feminina altera qualquer leitura de diversidade, concentração e raridade. Uma forma pode parecer rara porque as mulheres são menos nomeadas, não porque o nome fosse raro na comunidade.
Nenhum ajuste estatístico é aplicado sem modelo e evidência. A solução editorial é mostrar a lacuna e limitar a conclusão ao conjunto observado.