Corpus delimitado · 1375–1438

Visibilidade dos nomes femininos nas fontes medievais

Como duas amostras tornam as mulheres e os seus nomes menos visíveis, com denominadores e omissões explicitamente separados.

Revisto em · 2 corpora publicados · rota em revisão editorial e ainda não indexada.

Leituras verificáveis

Três observações com localizador

Cada número permanece ligado ao seu denominador, corpus e decisão editorial.

Alentejo
23 formas femininas
10,1% dos 228 antropónimos segundo os autores.
Baixo Alentejo 1375–1376 · p. 101
Porto
315 referências femininas
Só 172 referências têm nome de batismo publicado na análise.
Porto 1431–1438 · pp. 185–186
Porto: referência relacional
143 sem nome de batismo
Descritas por relação matrimonial na análise da autora.
Porto 1431–1438 · p. 186

01

Baixa presença não equivale a baixa população

A tabela alentejana conta 23 ocorrências femininas e os autores calculam 10,1% da amostra total. Esse valor mede presença no levantamento antroponímico, não a composição por sexo da população dos três concelhos.

A inquirição sobre bens régios podia tornar certos titulares, testemunhas ou relações mais documentáveis. Sem conhecer todo o mecanismo de inclusão, ausência onomástica não se converte em ausência demográfica.

02

No Porto, referência e nomeação divergem

O estudo encontra 315 referências femininas, mas apenas 172 com nome de batismo. As outras 143 surgem por fórmulas conjugais como “mulher de”.

Assim, a tabela de nomes femininos descreve pouco mais de metade das referências femininas publicadas. A distribuição das 143 formas omitidas permanece desconhecida.

03

Comparar percentagens exige denominadores equivalentes

Os 10,1% alentejanos usam 228 como base total. Os percentuais dos nomes femininos portuenses usam o subconjunto de 172 mulheres nomeadas. Colocá-los na mesma coluna como se fossem a mesma métrica seria enganador.

Esta coleção identifica sempre se uma percentagem mede presença feminina no corpus ou distribuição dentro dos nomes femininos visíveis.

04

A lacuna é parte do resultado

A subnomeação feminina altera qualquer leitura de diversidade, concentração e raridade. Uma forma pode parecer rara porque as mulheres são menos nomeadas, não porque o nome fosse raro na comunidade.

Nenhum ajuste estatístico é aplicado sem modelo e evidência. A solução editorial é mostrar a lacuna e limitar a conclusão ao conjunto observado.

Contratos negativos

O que este estudo não conclui

  • Não estima proporção de mulheres na população.
  • Não atribui nomes nem parentescos às 143 referências relacionais.
  • Não compara percentagens com denominadores diferentes como equivalentes.

Caderno de proveniência

Limites e política de cada corpus

As fontes primárias subjacentes, os totais e a intervenção editorial são parte do resultado.

  1. Dataset publicado e reproduzível

    Nomear e ser nomeado na Idade Média: estudo de antroponímia alentejana medieval

    Diogo Vivas e André de Oliveira-Leitão · 2010

    Base primária
    Inquirição régia de 1375–1376 sobre bens régios em Castro Verde, Almodôvar e Padrões; cópia na Leitura Nova, Livro I dos Direitos Reais, fólios 111–163; edição integral publicada pelo Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo em 1998.
    Fronteira
    228 antropónimos recolhidos pelos autores nos três concelhos. As tabelas publicam 203 ocorrências na lista masculina e 23 na feminina; a diferença de duas unidades perante o total declarado fica sem reconciliação nesta edição.
    Grafia e transcrição
    As tabelas agrupam explicitamente algumas formas com barra — por exemplo Domingos / Dominico, Martim / Martinho, Fernando / Fernão, Pedro / Pêro, Rodrigo / Rui e Mor / Maior. Esta coleção preserva esses agrupamentos e não recupera grafias manuscritas.
    Risco de inclusão
    A inquirição documenta pessoas relevantes para o levantamento de bens régios. Não é um rol da população residente nem uma amostra aleatória.
    Localizadores
    pp. 97–98: fonte e âmbito; pp. 99–101: tabelas de nomes próprios; pp. 102–103: nomes e patronímicos.

    Consultar a publicação usada

  2. Dataset publicado e reproduzível

    “Diz-me como te chamas, dir-te-ei quem és”: amostra antroponímica do Porto e seu termo (1431–1438)

    Vanessa Azevedo Reis · 2018

    Base primária
    Atas de Vereação da cidade do Porto e Livro da Receita Nova; o artigo fornece remissões para fólio/página e tabelas anexas de formas e contagens.
    Fronteira
    3 855 antropónimos declarados; 3 689 com nome próprio numa passagem, embora a frase seguinte use 3 688. A autora identifica 315 referências femininas, das quais 172 publicam nome de batismo, e 61 nomes masculinos distintos mais 20 femininos.
    Grafia e transcrição
    A autora declara ter registado todos os nomes próprios com a grafia vigente à data do estudo para facilitar contabilização. As formas da tabela são, portanto, categorias editoriais normalizadas, não inventário de grafias medievais.
    Risco de inclusão
    As duas fontes municipais tornam certos agentes e relações mais visíveis do que outros. Entre as 315 referências femininas, 143 aparecem por relação conjugal sem nome de batismo publicado.
    Localizadores
    pp. 176–180: corpus e método; pp. 185–189: nomes próprios e visibilidade feminina; pp. 194–195: nomes e patronímicos; pp. 210–211: tabelas anexas.

    Consultar a publicação usada