Corpus delimitado · 1375–1438

Variantes publicadas e nomes modernizados: duas políticas incompatíveis

O que pode e não pode ser comparado quando uma fonte agrupa variantes e outra normaliza todos os nomes próprios para grafia moderna.

Revisto em · 2 corpora publicados · rota em revisão editorial e ainda não indexada.

Leituras verificáveis

Três observações com localizador

Cada número permanece ligado ao seu denominador, corpus e decisão editorial.

Alentejo
6 grupos com barra
Domingos/Dominico, Martim/Martinho, Fernando/Fernão, Pedro/Pêro, Rodrigo/Rui e Mor/Maior.
Baixo Alentejo 1375–1376 · pp. 99–101
Porto
normalização total
A autora declara usar grafia vigente para todos os nomes próprios.
Porto 1431–1438 · p. 177
Consequência
sem comparação ortográfica
As tabelas permitem comparar categorias e contagens, não diversidade gráfica original.
Porto 1431–1438 · pp. 177 e 210

01

A barra preserva uma decisão dos autores

A tabela alentejana reúne pares ou conjuntos em células comuns e por vezes expõe a repartição, como 12 mais 1 para Domingos/Dominico ou Martim/Martinho. Essa é a unidade estatística publicada.

Separar as formas mudaria percentagens e posições. Fundi-las com outras grafias não listadas também excederia a fonte. O corpus conserva precisamente o agrupamento visível.

02

O Porto apaga deliberadamente a variação gráfica

A autora do estudo portuense explica que registou todos os nomes próprios com a grafia então vigente para facilitar contabilização. Essa transparência torna o conjunto reprodutível como tabela editorial, mas não como inventário paleográfico.

João, Afonso ou Gonçalo na tabela são categorias normalizadas. Não se pode afirmar quantas grafias medievais diferentes foram reunidas em cada uma.

03

Categorias podem ser comparadas; grafias, não

É possível observar que João lidera ou que Martim tem determinada contagem, desde que se cite a política de cada corpus. Não é possível comparar “variação ortográfica” entre eles.

Uma análise de grafias exigiria transcrições conservadoras dos dois conjuntos e regras comuns para abreviaturas, diacríticos, segmentação e expansão. Esses dados não estão nestas tabelas.

04

Política desta coleção

Formas com barra são reproduzidas com barra e chamadas grupos editoriais. Formas portuenses são marcadas como normalizadas. A acentuação moderna não é projetada no manuscrito.

Nenhuma seta etimológica ou relação de equivalência adicional é criada por semelhança. O objetivo é estudar o que as publicações contam, não reconstruir uma história fonológica ausente.

Contratos negativos

O que este estudo não conclui

  • Não mede diversidade ortográfica nem prevalência populacional entre corpora.
  • Não apresenta grafia normalizada como transcrição.
  • Não cria variantes nem relações familiares além do que a fonte publica.

Caderno de proveniência

Limites e política de cada corpus

As fontes primárias subjacentes, os totais e a intervenção editorial são parte do resultado.

  1. Dataset publicado e reproduzível

    Nomear e ser nomeado na Idade Média: estudo de antroponímia alentejana medieval

    Diogo Vivas e André de Oliveira-Leitão · 2010

    Base primária
    Inquirição régia de 1375–1376 sobre bens régios em Castro Verde, Almodôvar e Padrões; cópia na Leitura Nova, Livro I dos Direitos Reais, fólios 111–163; edição integral publicada pelo Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo em 1998.
    Fronteira
    228 antropónimos recolhidos pelos autores nos três concelhos. As tabelas publicam 203 ocorrências na lista masculina e 23 na feminina; a diferença de duas unidades perante o total declarado fica sem reconciliação nesta edição.
    Grafia e transcrição
    As tabelas agrupam explicitamente algumas formas com barra — por exemplo Domingos / Dominico, Martim / Martinho, Fernando / Fernão, Pedro / Pêro, Rodrigo / Rui e Mor / Maior. Esta coleção preserva esses agrupamentos e não recupera grafias manuscritas.
    Risco de inclusão
    A inquirição documenta pessoas relevantes para o levantamento de bens régios. Não é um rol da população residente nem uma amostra aleatória.
    Localizadores
    pp. 97–98: fonte e âmbito; pp. 99–101: tabelas de nomes próprios; pp. 102–103: nomes e patronímicos.

    Consultar a publicação usada

  2. Dataset publicado e reproduzível

    “Diz-me como te chamas, dir-te-ei quem és”: amostra antroponímica do Porto e seu termo (1431–1438)

    Vanessa Azevedo Reis · 2018

    Base primária
    Atas de Vereação da cidade do Porto e Livro da Receita Nova; o artigo fornece remissões para fólio/página e tabelas anexas de formas e contagens.
    Fronteira
    3 855 antropónimos declarados; 3 689 com nome próprio numa passagem, embora a frase seguinte use 3 688. A autora identifica 315 referências femininas, das quais 172 publicam nome de batismo, e 61 nomes masculinos distintos mais 20 femininos.
    Grafia e transcrição
    A autora declara ter registado todos os nomes próprios com a grafia vigente à data do estudo para facilitar contabilização. As formas da tabela são, portanto, categorias editoriais normalizadas, não inventário de grafias medievais.
    Risco de inclusão
    As duas fontes municipais tornam certos agentes e relações mais visíveis do que outros. Entre as 315 referências femininas, 143 aparecem por relação conjugal sem nome de batismo publicado.
    Localizadores
    pp. 176–180: corpus e método; pp. 185–189: nomes próprios e visibilidade feminina; pp. 194–195: nomes e patronímicos; pp. 210–211: tabelas anexas.

    Consultar a publicação usada