Corpus delimitado · séculos XIV–XV

Concentração dos nomes masculinos nas duas amostras

O peso dos nomes mais contados em duas tabelas medievais, sem transformar concentração documental em distribuição portuguesa.

Revisto em · 2 corpora publicados · rota em revisão editorial e ainda não indexada.

Leituras verificáveis

Três observações com localizador

Cada número permanece ligado ao seu denominador, corpus e decisão editorial.

Alentejo: quatro categorias
49%
João, Estêvão, Afonso e Lourenço segundo a síntese dos autores.
Baixo Alentejo 1375–1376 · p. 100
Porto: cinco categorias
69%
João, Afonso, Gonçalo, Vasco e Martim no universo masculino publicado.
Porto 1431–1438 · p. 186
Porto: oito categorias
83%
Ao grupo anterior juntam-se Álvaro, Pedro e Fernando.
Porto 1431–1438 · p. 187

01

Concentração não significa repertório fechado

No Alentejo, quatro categorias reúnem aproximadamente metade das ocorrências masculinas. A tabela continua com formas de frequência média e uma cauda de categorias com uma ou duas ocorrências.

No Porto, cinco categorias chegam a 69% e oito a 83% segundo a análise publicada. Também ali a tabela anexa conserva dezenas de categorias menos frequentes.

02

Os conjuntos dominantes não são idênticos

João e Afonso aparecem nos dois grupos de topo. Estêvão e Lourenço entram no quarteto alentejano, enquanto Gonçalo, Vasco e Martim completam os cinco portuenses.

A diferença é descritiva. Não deve receber uma explicação causal automática baseada em santos, migração ou estatuto sem variáveis próprias e fontes adicionais.

03

O efeito da normalização

A tabela alentejana agrupa explicitamente algumas variantes; a portuense moderniza todos os nomes próprios antes da contagem. Ambas reduzem diversidade gráfica, mas por procedimentos diferentes.

Consequentemente, “categoria distinta” significa categoria editorial do respetivo estudo. Não é uma contagem comparável de grafias manuscritas únicas.

04

Uma medida local

As percentagens resumem os documentos que chegaram ao corpus e as regras usadas pelos investigadores. São úteis para comparar o topo e a cauda dentro de cada tabela.

Não estimam a proporção de habitantes dos concelhos, de Portugal medieval ou de crianças batizadas. A inclusão depende de inquirições e registos municipais, não de amostragem populacional.

Contratos negativos

O que este estudo não conclui

  • Não chama ranking nacional às tabelas.
  • Não explica diferenças por uma causa não medida nem por tradição familiar.
  • Não trata categorias normalizadas como grafias originais.

Caderno de proveniência

Limites e política de cada corpus

As fontes primárias subjacentes, os totais e a intervenção editorial são parte do resultado.

  1. Dataset publicado e reproduzível

    Nomear e ser nomeado na Idade Média: estudo de antroponímia alentejana medieval

    Diogo Vivas e André de Oliveira-Leitão · 2010

    Base primária
    Inquirição régia de 1375–1376 sobre bens régios em Castro Verde, Almodôvar e Padrões; cópia na Leitura Nova, Livro I dos Direitos Reais, fólios 111–163; edição integral publicada pelo Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo em 1998.
    Fronteira
    228 antropónimos recolhidos pelos autores nos três concelhos. As tabelas publicam 203 ocorrências na lista masculina e 23 na feminina; a diferença de duas unidades perante o total declarado fica sem reconciliação nesta edição.
    Grafia e transcrição
    As tabelas agrupam explicitamente algumas formas com barra — por exemplo Domingos / Dominico, Martim / Martinho, Fernando / Fernão, Pedro / Pêro, Rodrigo / Rui e Mor / Maior. Esta coleção preserva esses agrupamentos e não recupera grafias manuscritas.
    Risco de inclusão
    A inquirição documenta pessoas relevantes para o levantamento de bens régios. Não é um rol da população residente nem uma amostra aleatória.
    Localizadores
    pp. 97–98: fonte e âmbito; pp. 99–101: tabelas de nomes próprios; pp. 102–103: nomes e patronímicos.

    Consultar a publicação usada

  2. Dataset publicado e reproduzível

    “Diz-me como te chamas, dir-te-ei quem és”: amostra antroponímica do Porto e seu termo (1431–1438)

    Vanessa Azevedo Reis · 2018

    Base primária
    Atas de Vereação da cidade do Porto e Livro da Receita Nova; o artigo fornece remissões para fólio/página e tabelas anexas de formas e contagens.
    Fronteira
    3 855 antropónimos declarados; 3 689 com nome próprio numa passagem, embora a frase seguinte use 3 688. A autora identifica 315 referências femininas, das quais 172 publicam nome de batismo, e 61 nomes masculinos distintos mais 20 femininos.
    Grafia e transcrição
    A autora declara ter registado todos os nomes próprios com a grafia vigente à data do estudo para facilitar contabilização. As formas da tabela são, portanto, categorias editoriais normalizadas, não inventário de grafias medievais.
    Risco de inclusão
    As duas fontes municipais tornam certos agentes e relações mais visíveis do que outros. Entre as 315 referências femininas, 143 aparecem por relação conjugal sem nome de batismo publicado.
    Localizadores
    pp. 176–180: corpus e método; pp. 185–189: nomes próprios e visibilidade feminina; pp. 194–195: nomes e patronímicos; pp. 210–211: tabelas anexas.

    Consultar a publicação usada