Corpus delimitado · 1375–1438

João em dois corpora medievais delimitados

Comparação das contagens publicadas para João no Baixo Alentejo e no Porto, mantendo denominadores, datas e políticas editoriais separados.

Revisto em · 2 corpora publicados · rota em revisão editorial e ainda não indexada.

Leituras verificáveis

Três observações com localizador

Cada número permanece ligado ao seu denominador, corpus e decisão editorial.

Baixo Alentejo
42 ocorrências; 20,59%
Percentagem da tabela masculina, denominador 203.
Baixo Alentejo 1375–1376 · p. 99
Porto e termo
999 ocorrências; 28,4%
Contagem normalizada e percentagem publicada para a amostra masculina.
Porto 1431–1438 · pp. 186–187 e 210
Escala relativa
1.º em ambos
Posição dentro de cada fonte; não é uma posição nacional.
Porto 1431–1438 · pp. 186–187

01

Duas primeiras posições, duas amostras

João lidera a tabela masculina alentejana com 42 ocorrências e 20,59%. No Porto, a categoria normalizada João reúne 999 ocorrências e 28,4% da amostra masculina segundo o gráfico publicado.

A coincidência da primeira posição é observável. Não torna os valores diretamente agregáveis: os corpora têm tamanhos, géneros documentais, lugares e janelas temporais diferentes.

02

A diferença percentual não mede evolução

O Porto de 1431–1438 é posterior ao Alentejo de 1375–1376, mas a passagem de 20,59% para 28,4% não pode ser lida como crescimento temporal nacional. A geografia e a seleção documental mudam ao mesmo tempo que a data.

Para testar uma evolução seriam necessários corpora comparáveis em vários momentos na mesma área ou um desenho que controlasse as diferenças. Dois pontos heterogéneos só mostram duas concentrações locais publicadas.

03

João também aparece na camada patronímica

Os dois estudos comparam nomes próprios e patronímicos ligados a João. Essa segunda camada pertence a outra geração ou função identificadora no modelo dos autores e não deve ser somada às ocorrências de João como nome próprio.

A semelhança histórica entre João e Eanes/Anes/Joanes é uma classificação publicada, não licença para contar cada patronímico como mais um homem chamado João no mesmo universo.

04

O que a contagem realmente sustenta

A evidência sustenta que João é a categoria masculina mais contada em ambas as tabelas, com os valores e denominadores indicados. Também sustenta forte concentração dentro destas fontes.

Não sustenta que toda família preferisse João, que dois portadores fossem parentes ou que a forma manuscrita fosse sempre “João”. No Porto, a própria autora declara normalização moderna.

Contratos negativos

O que este estudo não conclui

  • Não soma ocorrências entre corpora.
  • Não interpreta diferença regional como tendência temporal.
  • Não liga portadores nem infere tradição familiar.

Caderno de proveniência

Limites e política de cada corpus

As fontes primárias subjacentes, os totais e a intervenção editorial são parte do resultado.

  1. Dataset publicado e reproduzível

    Nomear e ser nomeado na Idade Média: estudo de antroponímia alentejana medieval

    Diogo Vivas e André de Oliveira-Leitão · 2010

    Base primária
    Inquirição régia de 1375–1376 sobre bens régios em Castro Verde, Almodôvar e Padrões; cópia na Leitura Nova, Livro I dos Direitos Reais, fólios 111–163; edição integral publicada pelo Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo em 1998.
    Fronteira
    228 antropónimos recolhidos pelos autores nos três concelhos. As tabelas publicam 203 ocorrências na lista masculina e 23 na feminina; a diferença de duas unidades perante o total declarado fica sem reconciliação nesta edição.
    Grafia e transcrição
    As tabelas agrupam explicitamente algumas formas com barra — por exemplo Domingos / Dominico, Martim / Martinho, Fernando / Fernão, Pedro / Pêro, Rodrigo / Rui e Mor / Maior. Esta coleção preserva esses agrupamentos e não recupera grafias manuscritas.
    Risco de inclusão
    A inquirição documenta pessoas relevantes para o levantamento de bens régios. Não é um rol da população residente nem uma amostra aleatória.
    Localizadores
    pp. 97–98: fonte e âmbito; pp. 99–101: tabelas de nomes próprios; pp. 102–103: nomes e patronímicos.

    Consultar a publicação usada

  2. Dataset publicado e reproduzível

    “Diz-me como te chamas, dir-te-ei quem és”: amostra antroponímica do Porto e seu termo (1431–1438)

    Vanessa Azevedo Reis · 2018

    Base primária
    Atas de Vereação da cidade do Porto e Livro da Receita Nova; o artigo fornece remissões para fólio/página e tabelas anexas de formas e contagens.
    Fronteira
    3 855 antropónimos declarados; 3 689 com nome próprio numa passagem, embora a frase seguinte use 3 688. A autora identifica 315 referências femininas, das quais 172 publicam nome de batismo, e 61 nomes masculinos distintos mais 20 femininos.
    Grafia e transcrição
    A autora declara ter registado todos os nomes próprios com a grafia vigente à data do estudo para facilitar contabilização. As formas da tabela são, portanto, categorias editoriais normalizadas, não inventário de grafias medievais.
    Risco de inclusão
    As duas fontes municipais tornam certos agentes e relações mais visíveis do que outros. Entre as 315 referências femininas, 143 aparecem por relação conjugal sem nome de batismo publicado.
    Localizadores
    pp. 176–180: corpus e método; pp. 185–189: nomes próprios e visibilidade feminina; pp. 194–195: nomes e patronímicos; pp. 210–211: tabelas anexas.

    Consultar a publicação usada