01
Duas primeiras posições, duas amostras
João lidera a tabela masculina alentejana com 42 ocorrências e 20,59%. No Porto, a categoria normalizada João reúne 999 ocorrências e 28,4% da amostra masculina segundo o gráfico publicado.
A coincidência da primeira posição é observável. Não torna os valores diretamente agregáveis: os corpora têm tamanhos, géneros documentais, lugares e janelas temporais diferentes.
02
A diferença percentual não mede evolução
O Porto de 1431–1438 é posterior ao Alentejo de 1375–1376, mas a passagem de 20,59% para 28,4% não pode ser lida como crescimento temporal nacional. A geografia e a seleção documental mudam ao mesmo tempo que a data.
Para testar uma evolução seriam necessários corpora comparáveis em vários momentos na mesma área ou um desenho que controlasse as diferenças. Dois pontos heterogéneos só mostram duas concentrações locais publicadas.
03
João também aparece na camada patronímica
Os dois estudos comparam nomes próprios e patronímicos ligados a João. Essa segunda camada pertence a outra geração ou função identificadora no modelo dos autores e não deve ser somada às ocorrências de João como nome próprio.
A semelhança histórica entre João e Eanes/Anes/Joanes é uma classificação publicada, não licença para contar cada patronímico como mais um homem chamado João no mesmo universo.
04
O que a contagem realmente sustenta
A evidência sustenta que João é a categoria masculina mais contada em ambas as tabelas, com os valores e denominadores indicados. Também sustenta forte concentração dentro destas fontes.
Não sustenta que toda família preferisse João, que dois portadores fossem parentes ou que a forma manuscrita fosse sempre “João”. No Porto, a própria autora declara normalização moderna.